Agora Cabo Frio

Segunda, 21 de Maio de 2012

Retrato falado II

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Por Beth Michel (*)

Retomando o tema de retratar prefeitáveis, e conforme o prometido, hoje farei o “retrato falado” de outros quatro pré-candidatos: Paulo César, Silas Bento, Janio Mendes e Alair Corrêa

O primeiro capítulo se referia a pré-candidatos sem nenhuma chance (na minha modesta opinião) do tipo que entra na disputa por que “rouba e/ou pulveriza” votos. Eram eles: Froilan Moraes, Bernardo Ariston, Cláudio Mansur e Alfredo Gonçalves.

Então vamos ao que nos interessa: candidatos que têm maior ou menor possibilidade de gerir nossos destinos! Reafirmo que tudo o que digo abaixo é a imagem que fiz em minha cabeça e a partir de minhas observações pessoais dos personagens, e que não tem a menor pretensão de ser exata ou sequer refletir a real personalidade dos retratados.

·         PAULO CÉSAR

Sempre me perguntei como foi que o Dr. Paulo Cesar foi parar na política. Eu o vejo mais como um médico um tanto provinciano daqueles que fazem palestras para senhoras em um clube ou associação beneficente, com temas tipo os do programa “Bem Estar” da TV Globo. Não que o doutor seja muito carismático – longe disso; ele parece estar muito imbuído da importância de seu sobrenome – bem ao estilo “tradição, família e propriedade”; e trata os de fora do seu circulo com certo desdém. Afinal, um médico tem que ser eficiente e não simpático – se bem que às vezes ajuda quando o paciente é um tanto rebelde, e acho que se deixou levar pelo palpite de alguém; e entrou na política sem saber bem como nem por que e não me parece muito interessado em ser eleito. Se faz algum esforço neste sentido, consegue esconder muito bem...

·         SILAS BENTO

Este é um que teria muita dificuldade em se afastar da política. Afinal começou cedo e não deve ter pensado em um plano B nestes últimos 20 anos, a menos que considere a possibilidade de assumir o lugar do pai – que é pastor! Pensando bem, parlamentar e pastor evangélico é quase a mesma coisa. Creio que se fosse mais jovem teria apostado na carreira de músico/cantor e estaria muito mais feliz, porém a esta altura fica difícil dar uma guinada. Silas me parece bem intencionado, mas pé no chão o suficiente para ainda acreditar na lisura dos atuais homens públicos. È cauteloso (diplomático) demais para se permitir dar o “choque de ordem”, que Cabo Frio necessita neste momento. Perdeu muito ponto comigo depois da ameaça de vômito e algumas “subidas nas trouxas” inconclusivas. Pena! Quem sabe em um momento menos conturbado -  e depois de recarregar as baterias... Mas, não agora!

·         JÂNIO MENDES

Moro há 13 anos na Gamboa e sou vizinha do cidadão Janio, não cheguei a acompanhar sua trajetória na Câmara de Vereadores, embora tenha ouvido falar que era bastante “combativo” – e eu interpretei isso como “luta em defesa de princípios éticos”; nem sei bem por que. Mas, me parecia lógico, pois ninguém vai a uma tribuna para defender algo que não seja para o bem comum... Como vizinho o atual deputado, nunca me chamou a atenção nem em bem nem em mal, só me incomodava o fato de só ser cumprimentada com um largo sorriso em ano eleitoral. Mas, podia ser que ele não fosse com a minha cara...

Quando penso em Jânio me vem à mente uma só palavra “lobista”! Talvez por que nunca tenha sabido de nada feito por ele de relevância e por “inspiração” própria. O fato de estar votando como “vaca de presépio” e em troca de apoios, reforça ainda mais a imagem do “lobista”, que em teoria é um “leva-e-trás” de projetos alheios entre empresários e políticos que possam viabilizar tais projetos. Os méritos e deméritos de tais projetos, nunca são levados em consideração por quem exerce este tipo de “ofício” – o negócio é obter o “jamegão” de quem de direito. A situação de um lobista é muito cômoda, pois uma vez obtido sucesso na empreitada, sai de cena e as conseqüências só sobram para os outros – seja para os autores, seja para o público alvo. Eu é que não arrisco o meu voto!

·         ALAIR CORRÊA

Deixei Alair para o fim, por que é o prefeitável que nestes últimos anos melhor pude observar, mas que por outro lado tenho certo pudor de falar, por que acabamos nos tornando amigos, e é sempre complicado falar de amigos – como dizia meu pai: amigo não tem defeito, tem qualidades escondidas (rs). Mas vamos então falar só destas “qualidades ocultas” (ou mal compreendidas como queiram). A única coisa que por vezes me parece perigosa para o próprio Alair é o seu paternalismo e o fato de sentir responsável por tudo e por todos que o cercam.

Não convivo com a família de Alair, mas sou capaz de apostar que é o tipo do pai que dá um castigo (merecido) para um filho e depois fica se remoendo de culpa e achando que exagerou – mesmo que seja um “vai ficar sem sobremesa hoje”. O maior problema é que muita gente que se pendura no pescoço de “papai” Alair, também já percebeu isto e se aproveita. Faz qualquer maluquice e diz qualquer impropriedade, e depois jura que não faz mais, ou que foi sem querer, bota cara de cachorrinho que derrubou a panela, e acaba escapando do castigo. Fica de bem e se comporta por um tempinho, até a travessura anterior cair no esquecimento e apronta de novo na primeira oportunidade. Alair é ingênuo a tal ponto de não perceber a “jogada”? Claro que não! Ele não só percebe, como muitas vezes até antecipa a próxima presepada, mas confia que vai conseguir contornar ou até salvar a ovelha desgarrada.

Se isto ficar somente no âmbito da família, negócios e de amizades, nada a opor ou reprovar. O perigo é se ele levar isto para a vida pública. Mas, acredito firmemente que ele saberá separar as coisas, até por que não teria sobrevivido a tantos “filhos” ingratos, caso não o tivesse feito ao longo destes mais de 40 anos de exitosa carreira política. Alair ama os seus, mas ama Cabo Frio ainda mais. Eu acredito!