Por Beth Michel (*)
Muita gente costuma me elogiar (ou criticar) pelo meu “senso de observação” e devo admitir que realmente eu SOU muito observadora, mas isto não chega a ser nem qualidade, nem defeito, e sim um hábito adquirido por força da profissão – artista plástica. Outros profissionais também usam esta “ferramenta” nos seus misteres: advogados, psicólogos, professores, jornalistas... Mas, restringem seu uso ao tempo de “expediente”. Já nós artistas – em especial os de artes visuais e de artes cênicas; fazemos isso a tempo integral. Nunca se sabe de onde nem quando vai surgir uma “inspiração” para um quadro, uma escultura, ou para compor um personagem!
Dito isto, me remeto ao título deste artigo que me foi sugerido por uma amiga (eleitora) que mora em Cabo Frio há pouco tempo e me pediu, que baseada nas minhas observações pessoais, lhe fizesse uma espécie de “retrato falado” dos prefeitáveis da cidade. Esclareço que as descrições e conclusões abaixo são mero “achismo”, ou seja, é a imagem que formei na minha cabeça sobre tais personagens, e não tem a menor pretensão de corresponder à verdadeira personalidade ou caráter dos personagens. Então vamos lá pela ordem em que as “figuras” me surgem na cabeça. Vou fazer em capítulos, para tornar a leitura menos cansativa. Por enquanto vou deixar de fora Claudio Leitão, por ainda não haver uma definição de se ou quem o PSOL indicará para o cargo.
FROILAN MORAES
Parece ser o tipo de pessoa que nada tem a ver com o político tradicional: não gosta de aparecer, dificilmente é claro sobre qualquer coisa que lhe seja perguntada, não gosta de contato humano, e não faz o menor esforço para ser simpático. Creio que aceitou o DEM como um “mal necessário”, para poder levar adiante seus projetos empresariais pessoais. Arrisco dizer que trocaria qualquer prefeitura (e não só a nossa) por uma permissão eterna de fazer seu evento até em Angola – só teria que trocar o nome por “Kuduro Folia”. Em suma é o que os elitistas chamariam de um “arrivista”, seu compromisso é com ele mesmo e seu projeto pessoal! Vejo-o muito mais disputando a vaga de empresário de Michel Teló, do que fazendo projetos de administração da cidade.
BERNARDO ARISTON
Típico bom moço de classe média alta, ou o que chamamos de “filho de papai”, em vários sentidos. Obedece a regras de etiqueta e conduta social, cuida da aparência, e da saúde, obedece aos mais velhos, é inteligente, aprende rápido com seus próprios erros e com os alheios, e evita sempre que pode qualquer situação de conflito. Pode, e até creio que deva ter boas idéias, mas não ousa pô-las em prática, possivelmente para não desagradar ou fugir da influência paterna. Caso tenha bagagem profissional e especialização, daria um excelente executivo de uma grande empresa (autarquia ou multinacional), sem, no entanto, chegar ao comando máximo. Possivelmente tenha dificuldades de se impor e se fazer obedecer. Politicamente poderia (e pode) fazer uma bela carreira como parlamentar, e até chegar ao senado, mas dificilmente saberia lidar com um cargo executivo (prefeito, governador, presidente) em um sistema não parlamentarista como o nosso.
CLÁUDIO MANSUR
É o típico advogado criminalista dos anos 70, sou capaz de apostar que sabe de cor o Código Penal, tal como aprendeu na faculdade, embora o mesmo já tenha sofrido muitas mudanças depois da Constituição de 88 – mudanças estas que possivelmente ele desaprove – nada de mudanças que o forcem a rever o consolidado na sua (dele) cabeça. É bombástico em suas afirmações, e tem certeza de tudo que afirma. Caso alguma afirmação se comprove inverídica, utiliza qualquer artifício (legal) para validá-la, e torná-la palatável para os demais, ainda que mais não seja no berro!Frases favoritas - devem ser: 1) “Sabe com quem você esta falando!?”; 2) “Eu te processo!!!!” Imagino que deve ser um espetáculo à parte em um Tribunal do Júri. Tenho muita desconfiança de pessoas que tem demasiadas certezas, principalmente sobre si mesmas, mas isso é problema meu e não dele. Deveria continuar com sua carreira paralela de artista plástico – até que levava jeito. Mas, prefeito? Não vejo como isso possa dar certo.
ALFREDO GONÇALVES
Tanto pelo que ouvi falar fez faculdade de direito, mas não sei se um dia chegou a exercer a profissão. Acho que a palavra mais adequada para a imagem que ele me passa é “moldável” – como um bloco de argila crua. Se algum dia fez algum teste vocacional, tenho a impressão que o resultado foi: “INCONCLUSIVO”. É o tipo do sujeito mediano de classe média, e que é "mais ou menos" bom (ou mau) em tudo. Se for católico deve ser do tipo que só tem pecados veniais a dizer no confessionário. Até na aparência é mais ou menos: mais ou menos gordo; estatura média; olhos e cabelos castanhos médios; mais ou menos bem vestido; tom de voz monocórdio... Uma boa “imagem” para caracterizá-lo (mais até que as fugas) foi a “atitude” que tomou durante o episódio do gás de pimenta da Câmara na sua presidência: não abriu o bico, ficou sentadinho olhando tudo como se estivesse em um cineminha de bairro na sessão da tarde. E depois do “choque” foi a mesma coisa: não fez nada – até mandou sumir com a ata, para fazer de conta que nada havia ocorrido. Prefeito? Quem precisa de um prefeito assim? Opção de “carreira”? Vendedor de carros usados, ou de enciclopédias... Talvez!
NO PROXIMO CAPITULO SERÃO “RETRATADOS” PAULO CESAR, SILAS BENTO, JÂNIO MENDES E ALAIR CORRÊA.
(*) Artista Plástica e Blogueira















